quinta-feira, 5 de maio de 2011

Fim da linha de Jobson no Bota: atrasos, noitadas e até cuspe no chão


Jobson com a camisa do Bahia (Foto: Divulgação/Site oficial do Bahia)
Quando desembarcou em Salvador, na última quarta-feira, para acertar com o Bahia, Jobson não escondeu ainda cultivar uma grande decepção com o Botafogo. Disposto a deixar o Atlético-MG movido pelo desejo de retornar ao Rio de Janeiro, ele encontrou as portas de General Severiano fechadas. A diretoria alvinegra decidiu enfrentar as críticas de sua própria torcida quando optou por renegociar o atacante em vez de dar-lhe uma nova chance. Mas só decidiu fazê-lo por entender que este não é o momento de abrir novamente o clube para alguém que colecionou episódios de indisciplina, principalmente em sua segunda passagem, em 2010, de acordo com relatos colhidos com pessoas que conviveram com o jogador no dia a dia do clube.
Depois de cumprir seis meses de suspensão por uso de cocaína, Jobson retornou ao Botafogo em junho do ano passado. Comovido com o drama pessoal do atacante e ao mesmo tempo agradecido por seu desempenho na reta final do Brasileirão de 2009 – quando foi decisivo para livrar o time do rebaixamento –, o clube venceu um leilão com o Flamengo e firmou contrato até junho de 2015. Mas como condição, exigiu que Jobson fosse submetido a intenso acompanhamento psicológico e psiquiátrico, a frequentes exames toxicológicos, além de estar no Rio de Janeiro acompanhado de sua família.
Mas se dentro de campo Jobson tinha um rendimento abaixo do esperado, fora dele tinha intensa movimentação. Na prédio onde vivia – na Rua das Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro – foram constantes as queixas de moradores incomodados com o barulho originado da cobertura do atacante, que muitas vezes terminava já com o dia claro. Em diversas ocasiões, os vizinhos se reportaram à imobiliária responsável pelo aluguel, que transmitia as reclamações ao Botafogo. Em uma oportunidade, dirigentes foram ao local apartar uma acalorada discussão familiar na casa do jogador.
O clube designou um funcionário do setor administrativo do futebol para acompanhar Jobson por onde ele fosse, incluindo restaurantes, bares e boates. O objetivo era fazer com que o atacante ficasse à vontade, mas que não cometesse excessos que o prejudicassem profissionalmente. A estratégia não durou muito tempo.
- O Jobson botou o cara doente - confessou um integrante do departamento de futebol do Botafogo.
Logo os excessos passaram a influenciar o desempenho profissional de Jobson. De acordo com funcionários do Botafogo, em todo o ano de 2010 o atacante faltou a apenas um treinamento – pouco antes da partida contra o Flamengo, no segundo turno do Brasileirão. Mas foram muitos os atrasos e, em algumas oportunidades, teria chegado a General Severiano dando sinais claros de que havia consumido álcool em grande quantidade, segundo especularam pessoas que conviviam com o atacante diariamente.
jobson comemora gol do botafogo sobre o atlético-go (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)
O tratamento psiquiátrico foi interrompido depois que o profissional designado mostrou insatisfação com as constantes faltas de Jobson às sessões. Enquanto buscava mostrar a importância da disciplina, o Botafogo fazia o máximo para que os episódios protagonizados pelo jogador fossem resolvidos apenas de forma interna. Assim, um funcionário do departamento de futebol foi acionado numa madrugada depois que até mesmo um primo colidiu o carro do atacante.
Aos poucos, o comportamento de Jobson passou a afetar seus companheiros de equipe. Principalmente na reta final da última temporada, quando foi reforçada a necessidade do comprometimento de todo o grupo em busca da classificação para a Libertadores. Não foram poucas as vezes que diretoria, o técnico Joel Santana e alguns atletas conversaram com o atacante sobre o assunto. A promessa era de que o comportamento mudaria, mas logo chegavam notícias de novos problemas. Até que o elenco se reuniu com os dirigentes mostrando que o ideal seria que Jobson fosse afastado, pois não estaria em sintonia com os demais.
Durante uma sessão de trabalho na sala de musculação, Jobson cuspiu no chão e foi repreendido por um integrante da comissão técnica. A atitude levou a uma discussão que foi parar na sala da administração do futebol do Botafogo, contribuindo para que o desgaste do jogador aumentasse.
Mas apesar dos muitos casos de indisciplina, Jobson sabia que poucos lugares lhe dariam o conforto e o carinho proporcionados pelo Botafogo. E, segundo aqueles que o rodeiam, foram consequência da frustração de não poder retornar ao clube carioca as palavras inconformadas do atacante sobre o Alvinegro, quando apresentado pelo Bahia.
- O Jobson só tem a agradecer ao Botafogo por tudo o que fez. É um apaixonado pelo clube, e suas palavras foram exatamente por esse desejo excessivo de voltar. Infelizmente não aconteceu, e agora sua vontade é jogar bem no Bahia para mostrar que está pronto para retornar ao Botafogo no futuro. Acho que nenhum outro clube faria que o Botafogo fez por ele. Por isso, não há motivo para que ele cultive qualquer mágoa - explicou Antenor Joaquim, um dos empresários do atacante.

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