sábado, 14 de maio de 2011

Recuperado de frustrações, Tite vê título paulista como selo de qualidade

Tite fala com empolgação da final contra o Santos e não esconde em nenhum momento que o título do Campeonato Paulista serviria como redenção para o Corinthians. Especialmente para ele, que sentiu demais a perda do Campeonato Brasileiro do ano passado e a vexatória eliminação na Taça Libertadores.
Mas na véspera da final de domingo, às 16h, na Vila Belmiro, o treinador corintiano quer deixar esse histórico de lado. Tite prefere exaltar seus números no comando da equipe (32 jogos, 17 vitórias, 11 empates, quatro derrotas e 64,5% de aproveitamento). Mas eles valerão muito mais com o tal “selo de qualidade”.
- O título pode ser a cereja do bolo, o selo de qualidade. Vai afirmar todo um trabalho – declarou o treinador, em entrevista exclusiva ao Globoesporte.com.
Em um bate papo no CT Joaquim Grava, o técnico do Corinthians falou também sobre sua identificação com o Timão, dos jogadores alvinegros que podem fazer a diferença na decisão e que briga de igual para igual com os principais treinadores do país. Confira abaixo a íntegra da conversa com Tite.

 Globoesporte.com: O que representa a chance de conquistar o primeiro título pelo clube?
Tite: Eu digo assim: cada trabalho e cada passagem têm a sua característica. Completo no domingo 33 jogos no comando da equipe. E no Corinthians, isso é tempo suficiente para fazer uma análise. Tenho o melhor retrospecto dos últimos anos (com 64,5%. Ao lado de Mano Menezes, é o segundo melhor desde 2005). O título pode ser a cereja do bolo, o selo de qualidade. Vai afirmar todo um trabalho.

TITE NO COMANDO DO TIMÃO
VITÓRIAS17
EMPATES11
DERROTAS4
Você é apegado ao Corinthians, será mais especial um título pela equipe?
Mais do que ter tido duas passagens aqui, o melhor é a forma como fui recebido em ambas. Você cria um vínculo maior. Deixa de ser apenas mais um profissional para ser parte integrada dos objetivos da equipe. Por mais que você saiba que não vai ficar muito tempo, porque é a cultura do futebol brasileiro, acaba se entregando. E como diz o Paulo Autuori: todos gostam de ser bem quistos.

O Corinthians, então, é um dos clubes mais vibrantes que dirigiu?
Com certeza, com certeza.

Em semana de decisão, o que muda na rotina do clube?
Nada. Não muda nada. Eu, pelo menos, não procuro alterar a rotina. O que muda são as expectativas, as emoções, a adrenalina.

E como fazer para essa adrenalina não virar nervosismo?
Temos de trazer o foco para o trabalho, pensar no dia, fazer o trabalho de forma intensa, com qualidade e concentração. É errado dizer que treino é treino e jogo é jogo. Para mim, não é! Jogo e treino devem ser parecidos em nível de concentração, intensidade, envolvimento e qualidade.

O que foi mais frustrante: perder o Brasileirão ou a Libertadores?
No Brasileirão, o meu desempenho em oito jogos, com cinco vitórias e três empates (62,5%), foi superior ao do Fluminense campeão (62,2%). Isso é frustrante. Mas fomos para Libertadores. Aí, em 19 dias, nós reestruturamos a equipe e tentamos dar condições técnicas e físicas para ela. Mas o Tolima foi melhor, mais competente e nos eliminou. Baixamos a cabeça, lambemos a ferida e levantamos. Estamos agora em um jogo final. E espero que o time tenha maturidade para ser campeão.

Vencer o Santos, um dos melhores times do Brasil, é seu maior desafio?
O Corinthians mostrou no último domingo que pode vencer o Santos. Essa para mim foi a marca do jogo. Teve equilíbrio, sim, mas tivemos 18 finalizações. E todas com perigo de gol. Mas nos faltou uma precisão maior. Se tivéssemos em uma tarde mais feliz, mais competente, mais precisa, teríamos vencido. É um grande desafio, sim, mas temos totais condições de vencer o Santos na Vila Belmiro.

Tite entrevista 3 (Foto: Leandro Canônico/GLOBOESPORTE.COM)
Se no Santos o Neymar faz a diferença, quem faz no Corinthians?
O Liedson, o Dentinho, em ritmo normal, o Willian também pode ser esse jogador, o Bruno César, o Paulinho, surpreendendo de trás. Do meio para frente, nós temos alternativas. Que o time todo esteja bem para fazer uma grande final.

Você já dirigiu grandes clubes, foi campeão da Copa Sul-Americana, da Copa do Brasil... Você se considera um treinador de ponta?
No Brasil, há duas gerações de técnicos. Uma mais experiente, formada por Luxemburgo, Felipão, Muricy. E outra mais nova, com menos tempo no mercado. Eu estou nesse segundo escalão, brigando de igual para igual com os outros.

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