sábado, 26 de março de 2011

Guerreiro na vida, Enderson Moreira ajuda Flu a resgatar espírito de 2009


enderson moreira treino fluminense (Foto: Wallace Teixeira/ Photocamera)

No início de 2011, Enderson Moreira só pensava em cumprir seu contrato com o Internacional. Em sua cabeça, dirigir o atual campeão brasileiro na Taça Libertadores era um sonho mais do que distante. Mas quis o destino que o menino humilde, que nasceu em São Paulo e com seis meses se mudou para Venda Nova, região de Belo Horizonte, Minas Gerais, ajudasse o Fluminense a resgatar o seu espírito de time guerreiro.

Se em 2009 o Tricolor provou que nada é impossível ao evitar um rebaixamento dado como certo no Campeonato Brasileiro, no ano seguinte veio a recompensa. O "Time de Guerreiros" trocou a garra pela regularidade e conquistou o título mais cobiçado do país após 26 anos de espera. A história se confunde com a do auxiliar técnico permanente do clube. Após superar a infância difícil, o filho do mecânico Romário, falecido há 12 anos, e da dona de casa Maria ganha sua primeira grande chance como treinador. Mesmo que interino.
- O futebol guarda algumas surpresas. Ele lhe tira e lhe dá oportunidades. Mas não escolhe dia e hora para isso. Fui guerreiro ao longo da vida. Nunca passei necessidade, mas cresci em uma área carente e lutei muito para estudar e buscar espaço no mundo do futebol sem ser um ex-jogador. Parei de jogar ainda nas categorias de base. A minha vida sempre foi uma superação. Ser guerreiro faz parte dela e combina com o Fluminense - disse.
A vontade de trabalhar com a bola começou aos nove anos. Hoje, Enderson já tem 15 anos de carreira e passagens por grandes clubes, como Cruzeiro e Internacional. Procurado na última sexta-feira, 18 de março, pelo assessor da presidência no futebol, Mário Bittencourt, ele chegou ao Rio no dia seguinte. Pouco mais de 48 horas depois, já comandava o treino nas Laranjeiras. Com poucas mudanças na equipe, conseguiu resgatar o espírito de luta do Tricolor, que voltou a ecoar nas arquibancadas sob o coro de "Time de Guerreiros" e andava esquecido na temporada 2011.
- Quando há sinergia entre torcida, atletas e direção, o resultado é especial. Estrutura é importante? Sim. Mas quem faz a diferença são os jogadores. Essa é a lição. Futebol é razão, mas a emoção precisa prevalecer em certos momentos. Esse grupo do Fluminense já virou sinônimo de superação. Espero agora conseguir traduzir isso em uma sequência de vitórias - explicou.
Além da torcida e do treinador, os jogadores também exemplificaram a mudança na motivação tricolor com palavras. Logo após a virada sobre o América-MEX, o atacante Fred postou em sua conta no Twitter e comemorou o retorno da união de 2009. Há pouco tempo no clube, Souza já se contagiou com o novo clima:
- Depois dessa partida, não tem como não lembrar das pessoas chamando o Fluminense de "Time de Guerreiros". Foi uma sensação diferente na minha carreira.

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