quinta-feira, 31 de março de 2011

No embalo da torcida, Santa bate São Paulo e leva decisão para Barueri


Um gol contra marcado por Rodrigo Souto, aos 34 minutos do primeiro tempo (veja no vídeo ao lado), deixou o São Paulo em situação complicada na Copa do Brasil. Diante de um Santa Cruz valente e empurrado por sua apaixonada torcida, que fez uma festa incrível no estádio do Arruda, o Tricolor paulista alternou muito durante os 90 minutos e saiu de campo com uma derrota por 1 a 0, no jogo de ida da segunda fase da competição. Para não ser eliminado na volta, dia 6, em Barueri, a equipe comandada por Paulo César Carpegiani terá de vencer o rival por dois gols de diferença. Se o placar do primeiro se repetir a favor do time do Morumbi, o classificado será conhecido nos pênaltis. Para os pernambucanos, valem três resultados: vitória, empate ou derrota por um gol, desde que marcando pelo menos um em Barueri (exemplo: 2 a 1, 3 a 2...).
Santa surpreende e Souto faz gol contra no primeiro tempo
Os dois times entraram com novidades na escalação. No Santa Cruz, Zé Teodoro resolveu reforçar a marcação no meio-campo com a entrada do volante Everton Sena ao lado de Jeovânio e Wesley. No São Paulo, a grande novidade foi Rivaldo - após se recuperar de uma lesão muscular na coxa direita, o meia ganhou sua primeira oportunidade como titular. Para ele, era a realização de um sonho jogar no Arruda, contra o Santa Cruz, seu time do coração e onde começou a carreira. O camisa 10 ficou com a vaga de Carlinhos Paraíba, que ficou como opção no banco de reservas.
No lugar da variação entre o 4-4-2 e o 3-5-2, o time entrou postado no 4-2-3-1: uma primeira linha de quatro defensores, Jean e Rodrigo Souto fazendo a proteção, uma terceira faixa com Lucas aberto pela direita, Rivaldo no meio e Fernandinho caindo pela esquerda e Dagoberto mais à frente, fazendo o papel de referência.
Antes de a bola rolar, o técnico do time pernambucano havia avisado. Para complicar as coisas para o São Paulo, era preciso primeiro acreditar que vencer era possível e depois atuar com o coração no bico da chuteira durante os 90 minutos. E foi exatamente dessa maneira que a equipe da casa começou a partida. Empurrado por sua fanática torcida, que compareceu em grande número ao estádio do Arruda (o público total foi de 46.681 pessoas), o Santa Cruz começou jogando de igual para igual.
A amostra inicial foi dada logo a dois minutos, quando Landu fez boa jogada pela direita e cruzou rasteiro, para boa defesa de Ceni. O São Paulo respondeu aos cinco. Dagoberto recebeu de Lucas e, ao tentar arriscar o chute da entrada da área, foi travado por Leandro Souza. Na sobra, Rivaldo bateu de pé esquerdo, no canto direito de Tiago Cardoso, que voou e fez grande defesa, para alívio da torcida.
Lucas são paulo santa cruz (Foto: Rubens Chiri / Agência Estado)
A partir dos dez minutos, o jogo mudou. Embora as duas equipes mostrassem muita vontade, as marcações começaram a prevalecer de ambos os lados. O São Paulo pouco criava porque Everton Sena grudou em Lucas, Wesley não deu espaço para Rivaldo e Jeovânio foi o marcador pessoal de Fernandinho. Juan pouco apoiava o ataque pela esquerda. Do lado contrário, Natan não conseguia criar. Como a bola não chegava, ora Landu, ora Gilberto, voltava para buscar jogo.
A emoção voltou à partida aos 23, quando Gilberto exigiu boa defesa de Rogério Ceni. O tempo passava e o Santa Cruz seguia jogando em ritmo acelerado, enquanto que o São Paulo já atuava de maneira mais cadenciada, esperando uma brecha para surpreender. Até que, aos 34, o Arruda veio abaixo. Após cobrança de falta pela direita, Miranda afastou de cabeça. A bola sobrou na esquerda para Gilberto, que passou como quis pelo próprio Miranda, invadiu a área e cruzou rasteiro. Rodrigo Souto, na tentativa de afastar o perigo, jogou para dentro do próprio gol, marcando gol contra. Santa Cruz 1 a 0. O São Paulo acordou e, aos 43, Dagoberto marcou de cabeça. Mas o gol foi bem anulado, já que o camisa 25 estava impedido.
Tricolor pressiona, mas gol de empate não sai
Apesar do forte calor, o segundo tempo recomeçou em alta velocidade. Com um minuto, cada time já havia criado uma chance. O São Paulo, que voltou com Carlinhos Paraíba na vaga do apagado Juan, chegou com Dagoberto, mas Tiago Cardoso defendeu e o Santa Cruz respondeu com Wesley, em lance que foi bem cortado por Rodrigo Souto de carrinho. Em relação ao primeiro tempo, o time paulista aproximou seus três meias de Dagoberto e o time passou a ter mais criação.
Aos cinco, o gol de empate só não saiu porque Tiago Cardoso fez bela defesa em chute de Dagoberto. Três minutos depois, Lucas invadiu a área pela direita e cruzou. A bola atravessou toda a área e sobrou para Fernandinho, que bateu por cima do gol. Aos 12, após belo passe de Alex Silva, Fernandinho cortou a marcação de Cléber Goiano e bateu no canto direito de Tiago Cardoso, que não deu rebote.
Aos 15, Carpegiani mexeu novamente, botando Ilsinho na vaga do irregular Rivaldo, que deixou o gramado aplaudido por metade do estádio e vaiado pela outra parte. Logo depois, o treinador partiu para o tudo ou nada, colocando Marlos na vaga de Rodrigo Souto. A esta altura, o Santa Cruz continuava com o mesmo vigor na marcação, mas com uma postura bem mais defensiva, pensando apenas em garantir o resultado. Para complicar para o time da casa, Leandro Souza, que já tinha cartão amarelo, fez falta feia em Fernandinho e foi corretamente expulso. Com um homem a menos, rapidamente Zé Teodoro trabalhou, colocando o zagueiro André Oliveira na vaga do meia Natan. Aos 27, o Santa chegou com perigo pela primeira vez: Wesley disparou uma bomba de fora da área e Rogério Ceni fez bela defesa.
Nos últimos 15 minutos, o São Paulo pressionou, buscou o empate, mas o Santa se defendeu como podia. Nas arquibancadas, quando parecia que a equipe ficava sem fôlego, a torcida entrava em ação e reanimava os jogadores. O time paulista teve apenas uma chance, em cabeçada de Miranda, que foi por cima do gol, após cobrança de escanteio de Fernandinho. E a decisão ficou para a próxima semana, na Arena Barueri.

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